sexta-feira, 30 de maio de 2008

" Tira esse azedume do meu peito e com respeito trate a minha dor..."




( Los hermanos )

quinta-feira, 22 de maio de 2008

A minha lixeira está a cada dia mais lotada das folhas de papéis rabiscadas e jogadas fora.
MInha agenda diária não relata mais meus dias. Nem alegres, nem tristes. Monótonos.
Meu som emudeceu, minha televisão apagou-se, meu violão empoeirou-se, está sem corda.
Meus contos de fadas enxeram-se de monstros e feras famintas. Já não sou minha protagonista e canfabulo comigo e sobre mim.
Ás vezes da vontade de fugir e tento, mas é inútil já estou soterrada.

segunda-feira, 12 de maio de 2008

[.]


Segurei o mundo tentando não perdê-lo.
Colori com medo que desbotasse.
Mas, adormeci e o mundo escapou-me.

terça-feira, 22 de abril de 2008

Não alimente tuas arogâncias apoiadas em minha inocência.
Há muito tempo deixei de ser criança.
Há muito tempo que me enveneno diariamente.
Não me afronte, porque já não conheces nada além dessa superficialidade com que convives.
Ofereço-me em sacrifício.
Celebro-me em arrepios
Encanto-me em sonos mórbidos
Enleio-me em ressacas de embalar.
Assassino todos os enredos banais
Compus pequenas formas de ódio
E agora os canto desfeito em silêncio mortal.

quinta-feira, 10 de abril de 2008


Estamos no Brasil, e temos que aprender a gritar por nossos direitos ou caso contrário nunca seremos verdadeiramente cidadãos. Permaneceremos imóveis, alienados e manipulados a balançar a cabeça a dizer sempre 'sim'.

Não quero ser uma a mais na multidão. Quero o que é meu por direito!

Quero gritar, lutar!

Porque em silêncio não se faz cidadania.

domingo, 6 de abril de 2008

Aqui.

Aqui,
Trago mais um cigarro..
bebo outras doses..
e exponho não lucidamente minhas futilidades.
Talvez elas sejam tão reais quanto as tuas.
Não há quem possa julgar.
Todos sofremos do mesmo mal
E por isso compartilhamos as mesmas lágrimas.
Aqui,
Vejo-me do outro lado,
Tão pequena, tão sozinha, tão unútil.
em alguns momentos desconheço-me, assusto-me.
lanço o copo vazio sobre a imagem.
Que por temê-la mutiplicou-se.
cacos de mim para todos os lados.
Cacos de minha decadência.
Fantasmas meus expostos.
E como se não bastasse,
o toco e faço-me sangrar!

segunda-feira, 31 de março de 2008

..Ridicularizando..


O Andarilho perdido na noite.
Perdido na noite andava sozinho.
Andava sozinho sem rumo ou destino.
Sem rumo ou destino partiu o Andarilho.





P.s: Momento sem inspiração. O.o

quinta-feira, 27 de março de 2008

Perco-me em meus labirintos,
minhas crateras mentais..
Tentando definir, tentando entender.
As pétalas sobre a calçada ainda espalham perfume.
A morte chega devagar e é doce.
Assim como a face da aurora desenhada no horizonte.

sábado, 22 de março de 2008


Fico sentada de frente a um tabuleiro, na espera de que eu possa me concentrar e acertar de cheio em uma só jogada. As coisas parecem ser tão complicadas, e são tão fáceis...

"_Escolha!
_ Mas, preciso saber o que estou apostando.
_Tudo!"


segunda-feira, 17 de março de 2008



O divã que se enrosca na pele é o único refúgio de quase três mil anos de história,
Apenas lá se debruçam os meus segredos,
Num murmúrio desconcertante,
Tentando encontrar o fim das linhas escritas...
Lutar até fortificar a honra duma vitória? Não...
Deixa-me saltar para aquele abismo de liberdade,
Deixar de conter as emoções,
Deixar depender de uma mão para o ímpeto libertino!...
Solta-me as amarras
Explica-me porque não devo ter medo...

segunda-feira, 10 de março de 2008

Confissões. ( Mistureba )


Permaneço aqui!

ainda sem saber direito o que aconteceu.

Sem nem saber se aconteceu direito..

Ouvindo palmas,

recebendo abraços.

Não sei,

acho que não era eu.

Não éramos nós!

Creio que os deuses do teatro

disseram AMÉM no último instante.



quarta-feira, 5 de março de 2008


Permaneço no silêncio incerto e apagado.
Desprovido de animo de sonho de alma e de salmo
Estou no fio que dispersa o meu universo mensurável e tempificado
Do que não consigo julgar nem medir nem criar.
Dispersa, protejo-me de mim...
Escuto a voz que brota das entranhas
Mescla de loucura e sentimento!
Deito-me sobre pregos e sinto prazer...

sexta-feira, 29 de fevereiro de 2008


Não sabia quando bater na porta
e muda parecia ao longo dos dias,
apenas quando de fronte baixa sussurrava:
"- Sim, senhor! Não , senhora!''
era o que de sua voz reconheciam.
Lá ao longe, nos aposentos recanteados
resmungava seus dias,
e contava as migalhas conseguidas com suor.
Não era mais senzala,
já não havia escravidão
Mas, a pobre negra continuava subordinada
limpando o mesmo chão.

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2008


Visto agora uma capa negra.
Não que eu ache bonita, não que eu goste.
Porém, é a que melhor combina com o estado de invalidez que consome célula por célula desse meu corpo.
Deito-me sobre um caixote velho a fim de apreciar dias outroras.
Deixo que vãs sentimentos me corroam e permito expor grandes cicatrizes.
Não tenho medo de morrer, apenas medo do que me mata.
Rabiscando umas últimas frases, volto o olhar para os versos de Augusto dos Anjos e percebo o quanto identifico-me, talvez ele os tivessem feito para mim.
Então lê-se sobre o epitáfio: " Verme, este era seu nome de batismo."

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2008

Microconto.



Cansada das mesmices diárias, Maria das Dores decidiu atirar seu
"fardo-vida" da janela do apartamento. Pensou, pensou e quando arrependida da
decisão percebeu o quanto era tarde. Lá estava o corpo morto sobre o asfalto
quente. Lá estava Maria das Dores, estribuchando seus dias. Lá estava Maria
agora já sem dores.


quarta-feira, 13 de fevereiro de 2008


'será?

Mais uma vez sozinha. Jogada no sofá, maquiagem borrada de lágrimas, rodeada de bebidas e bitucas de cigarro. Televisão no último volume, rádio ligado, relógio despertando e campainha tocando. Ele chegou? Não, o jornal.



declaro que:

Respiro meu desejo. Não sei ser meio termo. Vejo aquilo que não existe. Sinto aquilo que quero. Meu pensamento me persegue. Tudo me atordoa. Me cobro, me dobro, machuco e me mato. Mesmo assim, continuo esperando por alguém que não vem.



verdade

Pessoas que amam sem correspondência, têm músicas para sofrer mais ainda. Feitas para isso, especialmente para chorar, elocubrar e curtir a solidão. Elas acreditam nisso piamente. Pessoas apaixonadas colocam música para o outro ouvir e dizem: essa dor é minha.



ele

O silêncio gritava dentro dela. Cansada das palavras, todas gastas, quando ele foi embora, não derramou uma lágrima. Ficou ali, sentada, sem sentir nada. O vazio preenchia tudo. Em suas veias já corria a certeza de que a cicatriz já estava pronta, antes mesmo da ferida ser feita. Ela o amava solitariamente e ainda continua a amá-lo, mesmo depois do monóxido de carbono que inalou ao esperar ele voltar. Sim, ali, sentadinha no carro, dentro da garagem.



assim na terra como no céu

Ela não pensou, entrou em casa direto pro banheiro. Abriu o armário e procurou desesperadamente pela lâmina de barbear mais afiada. Olhou uma por uma. Analisou-as de maneira metódica. Cortou-se de maneira singela. De um pulso ao outro. Agora ela não sofre mais por ele. Agora ele não tem mais dó dela. Mais fácil levar flores ao seu túmulo, do que amá-la em vida. Enfim só. Como sempre.'

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2008


'Porque caminhando nos dirigimos a algo
Ao desconhecido que nos faz palpitar o andar
Ao olhar que nos afaga o espirito
Ao esboçar de um sorriso que nos rega a alma de esperança
Na certeza de que até na escuridão o poderemos encontrar
Basta acender a luz.'



So just keep on walking....

domingo, 3 de fevereiro de 2008


É Carnaval. Dias voláteis. Hora de espantar os fantasmas, as raivas e deixar que nossas alegrias desfilem pela avenida. Ninguém é de ninguém. Eu não fui sua e você jamais ensaiou passos de frevo na minha passarela. Apenas se disfarçou de bom moço, quem nada quer e tudo precisa, e me deixou descompassada, na esbórnia de uma rua qualquer. Nunca quis adereços, purpurinas ou serpentinas. Somente queria a sua companhia. Como pirata, pierrot ou marinheiro só... só meu. Porém o brilho das lantejoulas cegou nosso olhar e nossos lábios se secaram à espera de um beijo tão espumoso quanto as brincadeiras de salão. E assim, nos perdemos no mar de corpos eufóricos que nos levou a outros blocos. Eu, Chiclete com Banana (mais banana que chiclete, com certeza); você Expresso 2222... ou seria o contrário? Ora, que importância faz agora, se o sem fim de cabeças em roupas diminutas com atitudes audaciosas ocupam nossos pensamentos e desejos? Ah! Desejos! Como uma bela marchinha carnavalesca que se repete a cada ano! Desejos das ausências de meu ser, onde a máxima expressão de felicidade é a alegria entre muitos. Descontração, sorrisos marotos e picardia. Desejos, também, de sambar contigo em algum beco sem-saída para, quem sabe, um dia ser a porta-bandeira de momentos inesquecíveis. Enfim, para bem ou para mal, logo vem a quarta-feira de cinzas e tudo voltará a ser o que era antes. Mas até lá, esquecerei de ti para tomar conta de mim. Afinal, é carnaval e não sei porque tantas vontades secretas afloram nessa época fugaz! Seria pela magia das plumas, confetes e paetês? Ou pela sedução dos olhares estranhos entre tantos outros na multidão?

terça-feira, 29 de janeiro de 2008

Apedrejo o espelho já que canso de mim.
Canso de minhas melosidades e besteirinhas.
Compro um abafador.
Compro o veneno diário que me faz suicida toda manhã.
Não permito mais um toque, já não me permito olhar.
Porque tenho nojo da minha decadência,
tenho pena de lutar contra gravidade que me faz sempre cair.
Então, deixo-me de lado..
Deixo-me esvair pra algum ralo.
Que os ratos tenham piedade de mim!

sábado, 19 de janeiro de 2008

Outro dia, olhei atentamente para meus pais, fiquei parada observando-os e percebi duas pessoas: esse homem, essa mulher como seres humanos, como eu, com inibições, conceitos errados e certos, ternura, alegria, tristezas, lágrimas, percebi que não são perfeitos, graças à Deus, pois ao invés de me sentir desiludida ou enganada, me senti mais confortável, menos maluca, e não só isso, percebi que já não sou criança, sou uma mulher, quase adulta. Modifiquei-me em vários momentos, a cada coisa nova que aprendi. Mudei. Readaptei-me. E, uma dessas coisas que aprendi foi que jamais serei feliz se mudar só para satisfazer o egoísmo de outro. Não posso ter os seus ou os pensamentos deles, não podem me criticar por isso, não posso ver como você, ou ele vê. Agora sei que não sou, e nunca fui, rebelde, se rejeitei suas crenças, eles também rejeitaram as minhas, então quem é rebelde? Não posso moldar a mente de ninguém, como também ninguém pode dizer o que ser, mas tenho um longo caminho a seguir para ser eu. Descobri que somos todos muito parecidos uns com os outros. Todos somos meio loucos... todos se sentem só, todos querem ser aceitos por todos ou por um só. Todos não entendem em alguma parte, essa tal vida. Todos sentimos medos, mas foi aí que descobri que, às vezes, somos diferentes... nem todos enfrentam esses medos, alguns são fortes e encaram a vida de frente, outros se distraem, criticando os outros, ou vivendo por viver, ou se iludindo de algo importante que faz. E, certa vez, ouvi de alguém que somos no fundo eternas crianças, algumas aprendem a brincar direito, aprendem a se importar, contar, representar algo nesse mundo imenso e fazem a diferença, outras apenas ficam mais altas, e talvez eu esteja começando a perceber que essa observação é verdadeira. Nem sempre eu preciso acertar, só preciso sentir e acreditar.