quinta-feira, 25 de dezembro de 2008


Desta vez ele não veio.
Não chegou fazendo algazarra como das outras vezes,
não trouxe risos, não trouxe alegrias.
Esperei, mas acho que o bom velhinho morreu
ou está velho demais para sair ao redor do mundo entregando presentes.
E minhas meias ficaram vazias.
E as luzes a piscar foram se apagando,
assim como o brilho da esperança em meu olhar.
Ele não veio e eu tive certeza de minhas ilusões.

sexta-feira, 19 de dezembro de 2008

Acordei menina demais,
acompanhada de sintomas de paixão recém-descoberta.
É assim todos os dias.
Acordo menina pra descobrir que mais tarde posso ser mulher. ( a tua mulher)
Acordo menina e me apaixono todos os dia pelos mesmos encantos de uma forma tão doce, tão inocente.
E tenho certeza que por acordar menina e amadurecer a todo instante ao teu lado
que acredito poder te amar sempre.
Desde minhas 'paixonites infantis', até a minha mais madura prova de amor.
E assim será por uma vida toda, enquanto eu acordar menina e acompanhada de sintomas de paixão recém - descoberta!

segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

' Quando acordou havia um bilhete ao lado do maço de cigarros...'

"por favor, quando chegar esteja inteira ocupe espaço e seja plena.
E faça amor comigo sem pressa.
Com todas as vírgulas que ignoramos."

domingo, 30 de novembro de 2008

Ressurreição.


Demorei dias degustando o silêncio nos pratos vazios, numa mesa posta que tardava a ser retirada, porque já não permitia que movesse um músculo para a realização de minha tarefas diárias.
Os móveis cobertos de poeira, a cama desarrumada. O resto de café na xícara, já estava sendo rondado por moscas e formigas.
E continuava sentada, em estado imóvel no chão do box, sentindo frio e calor, deixando-se derreter, petrificar. Tentando convencer meus músculos, meu corpo, minha alma que essa ausência não era maior que eu, apesar dela me consumir, me deteriorar.
Então me prendi dentro de minha gaiola, aprisionei-me por não saber mais viver livre. Porque ser livre consistia em Ter a capacidade de escolha, e esta eu tinha permitido que qualquer outro alguém fizesse por mim.
Mas, dias atrás quando olhei para mim, não consegui achar o que realmente era, fui. Apenas estava alí - uma escrava de minhas próprias futilidades, uma escrava do trabalho, do marido, da casa sem filhos, uma escrava dos sonhos que sufoquei, da vida que não permiti que fosse vivida.
E quando andava pela calçada apressada em chegar ao trabalho e assumir a postura da profissional extremamente competente, esquecia-me de voltar o olhar para o mundo, para as belezas do mundo. Fazendo de mim, mais um dos milhares seres patéticos existentes.
E anos se passaram, eu perdi meu marido par uma jovem mais nova, mais bela e interessante, perdi meu cargo alto na empresa, porque existiam pessoas bem mais qualificadas para assumir tal postura, perdi meus amigos, porque nenhuma semente dá frutos se não forem regadas e adubadas e eu esquecia de cuidar do meu jardim.
Foi quando percebi que todas as coisas que consegui armazenar até agora, não serviram de absolutamente nada. Cheguei a ter inveja do mendigo na calçada; Ele conseguia ser mais feliz do que eu.
Subi a escadaria do meu prédio, já que tempo tinha suficiente e cansaria, eu precisava de cansaço, eu precisava sentir dor, pra buscar nas entranhas do meu fracasso a razão de começar alguma coisa novamente.
Entrei no meu apartamento que apesar de ser apenas composto de 4 cômodos era gigantesco pra mim. Vi um mundo totalmente desfragmentado na minha frente. Móveis, paredes, pinturas, santos. Já nem fé conseguia Ter.
Despi-me, liguei o chuveiro e sentei no chão frio, desejando que aquela água caindo fosse o suficiente pra apagar de dentro de mim esse mar negro, ou que ao menos eu me afogasse de vez.
Passaram, horas, dias, e eu alí tentando purificar uma alma perdida, tentando cantar alguma coisa, mas nem voz eu tinha. Pensando em pedi ajuda a um Deus, mas achando-me pequena demais para ser ouvida, imunda o suficiente para Ter as preces elevadas aos céus.
E me lembrei dos momentos da infância, do cachorro com quem brincava, dos amigos com os quais compartilhava sonhos e aflições, onde estariam eles agora?
Entrei numa espécie de transe que me dominava, me fazia ir além de qualquer fronteira real, como se eu entrasse em contato com qualquer outro mundo. Por um instante pensei ser efeito das doses de uísques que tinha tomado a mais, mas estava lúcida o bastante, ainda que com uma espécie de tranqüilidade absoluta, como se aquela água realmente tivesse o poder de purificação.
Adormeci por alguns minutos e despertei assustada com a água caindo sobre meu corpo.
Levantei e envolvi-me com a toalha. Vesti uma roupa qualquer e saí. Andei, e comecei apreciar o dia, o sol, as árvores, sentei a beira da praia e deixei-me abraçar pela brisa. Finquei meus pés na areia e brinquei de descobrir desenhos em nuvens. Sorri sozinha, durante todos esses anos tinha-me privado de sorrir de mim e da vida. Ah! Como é bela a vida, e eu não enxergava.
Passaram-se as horas o sol se pôs, no céu deu lugar a lua crescente, a comparei a mim, crescendo perante as reviravoltas de um mundo que me pareceu tão injusto, e que só mais tarde fui perceber que injusta era eu comigo mesma.
Passei a noite alí mesmo, sentindo o vento, sentindo o cheiro do mar. Sentindo-me como uma adolescente irresponsável. Mas, estava feliz assumindo tal papel.
Na manhã seguinte voltei ao meu apartamento. Troquei os móveis de lugar e percebi que a muito tempo minha vida tinha permanecido igual aquele apartamento, sem mudança, cheio de velharias e carregado de poeira. Senti que precisava abrir a janela de minha vida, para deixar que entrasse por ela muitas partículas de coisas boas e duradouras.
Voltei a buscar Deus, hoje não necessariamente em templos, igrejas e religiões. Encontro meu Deus na terra que piso, no ar, no perfume das flores, na beleza de cada manhã, em mim e em tantos outros. E sendo assim consigo dá mais valor as coisas que passam por mim, pelas pessoas que vem e vão da minha vida. Procuro vivê-las intensamente, porque em algum momento elas partem, e só depois nos damos conta de quão importante elas eram.
Aprendi que felicidade é um estado de espírito mas, que pode ser duradouro se quisermos e fizermos que seja.
Basta que contemplemos nossa vida de uma forma diferente. Com amor, gratidão, dignidade, sabendo que os bens materiais se acabam mas, só o aprendizado e os sentimentos que temos ficarão para sempre.
Hoje, depois de muito tempo consegui ser o que eu sonhei. Minhas economias permitiam que eu vivesse do ócio por muito tempo ainda, mas, eu não as queria como sustento. Fui readmitida e tenho me dedicado muito ao meu emprego, mas agora é diferente, porque agora eu me amo e por isso consigo amar as coisas da vida também.

sábado, 22 de novembro de 2008

Pensou que nunca acabaria mas, deveras acabou.
Parecia irremediável quando tardava os dias a chegar.
Mas, veio e levou consigo um pouco de tudo que se foi, que aconteceu.
Agora já não é.
Agora adormeceu.
Agora não existe infinito.

quinta-feira, 13 de novembro de 2008

rotina.

Era aquele inferno diário, ele chegava abria o livro e gritava a página. Nós éramos uns 30 e nos inquietávamos à leitura do conteúdo.
Falava, falava repetindo sua sequência ilimitada de fala. Não era como os outros que nos motivava e enriquecia-nos e faziam de nós seres dotados de raciocínio e não apenas receptores.
Estávamos alí, apenas para sermos moldes daquele ser que colocava-se diante de nós com tamanha soberania. Estávamos, para ingerir tudo que nos era imposto. Para sermos fantoches e miniaturas.
Aquele era um inferno diário, ele chegava, abria o livro e gritava a página...

domingo, 9 de novembro de 2008

Metafóricamente


Somos aranhas construindo teias-vidas;

Ora soberanas em seu ordenar de fios

Ora cientes de que são apenas aranhas.





domingo, 26 de outubro de 2008

POrque estão aqui meus suspiros, delírios, devaneios e imposições por vezes tão néscias. Porque durante um ano foi neste espaço que rasguei minhas dores, e pintei um arco-íris de descobertas.
Porque foi aqui que consegui amigos que me lêem freqüentemente e me animam em palavras.
E hoje, venho por meio deste mesmo espaço agradecer por todos esses dias que compuseram minha história e a do néscias. Desejando então que este ano se perpetue... mutiplique-se em infinitos.
E muito obrigada por vossas vidas em minha vida!

sexta-feira, 10 de outubro de 2008

Agora neste tempo evoluído
Onde homens estão alienados facilmente
Percebemos um legado perdido
Vê-se morrer a epopéia rapidamente
Mas diante a tantos bits e sites construídos
Do velho baú surge o poeta contente
Brota a esperança de forma humana
Nasce a essência da poesia soberana

O poeta arma-se de desilusões
E veste-se da essência da sabedoria
Sozinho invoca seus deuses, seus brasões.
Eu, cá de longe observava e sorria.
Como ainda existem heróis tão sabichões?
Com armas em punho, rebelaria
Sentimentos mortos, guerreavam vivos
E seus campos de batalha eram livros.


Ah! Seu nome, esqueci de perguntar.
Mas, acho era Camões. Ouvi falar.

segunda-feira, 6 de outubro de 2008


Engulo o tempo que me resta.
Trago os instantes, como se eles me fizessem bem de fato.
Ainda não sei como me perdi.
Ainda não sei estar aqui.
Como se estivesse eu, carente de palavras e natureza humana.
Amordaçada sem gritar justiça.
Apunhalada sem sangrar.
Viva e mortificada momentâneamente.
Achei-me aqui, ser estranho.
Tão estranho que desconheci meu canto de agouro.
Talvez esteja apenas farta do meu penar, de tantas 'penas'acumuladas.
Fizeram-me anjo,santificada e pura ao mesmo tempo que me deram livre- arbítrio...
Então, eu decidi pecar!

sexta-feira, 12 de setembro de 2008

[silêncios]


'Às vezes me cansam as mesmas palavras surdas, pedras jogadas na lagoa do silêncio, ecoando ondas sem gosto. Repor uma ausência que me quebra, uma imagem sua em flor, beijar os lábios ainda frios do amanhã que teima em não chegar, atravessar o cinturão do horizonte, romper a saudades que me cerca nesse lânguido casulo do dia… É às vezes me canso do peso da minha alma e das vontades do meu coração, queria amadurecer no vento doce da tarde e olhar os fios negros tecendo a noite, deixar me perder em sonhos ao menos por alguns instantes…'







“(…) e nem cantos nem lágrimas poderão parar o destino marcado a cada um de nós e a todos nós, quando nos foge o tempo no espinho duma rosa branca. (…)"
(Pires - Espreitador)

quarta-feira, 20 de agosto de 2008

[como um girino.]

Esqueceram de me avisar que nem sempre resta tempo pra fazer o que se quer, ou que pensamentos mudam e quando crescemos conseguimos ser tolos o bastante e não fantasiar.
É um círculo que se fecha, penso eu. E como toda nova fase tem períodos de adptações e adaptações. Acho que estou numa delas, entretanto preferia achar graça de futilidades e achar bonito palavras bobas timbradas em velhos caderninhos.

Estou crescendo e de fato, crescer não é bom.

. Dejavú .

Em uma de suas férias de verão Maia resolveu visitar sua antiga cidade em Ouro Preto. Pegou o trem das 8:00 da manhã. Em uma das paradas viu subir no vagão alguém de rosto conhecido que por coincidência sentou ao seu lado e a reconheceu. Era Sara, sua amiga de infância que também decidira passar as férias na sua antiga cidade.
Sara, ao contrário de Maia era média, ruiva e continuava com as mesmas sardazinhas de quando Maia a conhecera. Maia não, estava mudada tinha se tornado uma bela mulher. Morena, alta, muito simpática e elegante com seus cabelos negros e longos.
E começaram a falar da vida, das coisas da vida, do emprego novo, dos maridos que não tinham e dos filhos que desejavam ter. Lembravam de como era pacata e feliz a vida em Ouro Preto. Os amigos, os lugares... Sim, os lugares! Em especial o Bosque das Maravilhas, com suas cachoeiras e belas paisagens naturais ( flores, árvores grandes e frutíferas), lá onde certa vez enterraram seus sonhos e fizeram juras de uma amizade eterna.
Ah! Como a saudade as invadiam... E por que não saciá-la? Marcaram de rever o Bosque das Maravilhas, de ir desenterrar uma parte do seu passado. Sábado às 3:00 da tarde. Combinaram.
Sara, chegou um pouco antes para aproveitar da maravilha, enquanto Maia atrasou-se, já que estava ressaqueada da noite passada e quando lembrou do compromisso já era um pouco tarde.
Cansada e decepcionada da falta de atenção da amiga, Sara voltou para o hotel, porém deixou uma aviso cravado na mesma árvore que um dia cravaram suas iniciais.
“Ninguém encontra seu passado jamais”.
Maia, ao ver o aviso entristeceu - se e voltou para casa pensativa e decepcionada com sua atitude.
Era noite e Sara sonhava, viu seu passado, sua infância, seus amigos descendo pela forte correnteza de uma cachoeira, tentava salva-los e não conseguia. Assustada, despertou com o som do seu relógio digital avisando que o trem para Ouro Preto sairia em algumas horas.

sábado, 2 de agosto de 2008

Hoje é um dia nublado como outro qualquer. E continuo sem ter coragem de falar o que não consigo nem pensar. Continuo sem conseguir escrever o que foi bloqueado do meu cérebro. Continuo sem querer sentir o que é dor e decepção. Continuo sem querer esperar essa decepção passar com o tempo e perdoar como eu sempre faço. Perdoa Pai, ela não sabe o que faz. Sabe sim, já está bem grandinha para deixar de ser café com leite. Não quero continuar sendo pinochio, o meu boneco com vida.

sábado, 26 de julho de 2008

Acho graça das estórias com finais felizes.. da ilusão que nos é passada durante toda uma vida.
Acreditei várias vezes que duentes e fadas madrinhas viriam para presentear-nos com algum tipo de desejo..
Já esperei príncipes, beijei sapos. Meras ilusões..
Agora, vago no trote do cavalo de Quixote, a abraçar minha Dúlcinéia.. Venha Rocinante!... Já que minha lucidez me suicida.

quarta-feira, 2 de julho de 2008

Hã?

Acontece que não se fazem blues como antigamente, não compõem canções refinadas e isso faz perder a inspiração, faz o papel ser branco infinitamente.
Acho que não gosto de branco, principalmente do branco do papel. Gosto mais do azul da caneta, do preto falhado. Sei lá!
A areia corre na ampulheta, já sou um ser deformado... o tempo cuidou de mim enquanto estive morta. Mas, hoje resolvi mais uma vez viver. Até quando se pode morrer e viver por escolha??
Sinto-me um pouco Deus assim. Não gosto de sentir-me Deus. Aprendi que é pecado. E que pecados não são bons.
A vida ainda flui em algumas entranhas aqui próximas. Mergulhar em mim, em meus sentimentos já não faço.. Tenho medo dos bichos que fui, tenho medo de minhas fantasias e de perder-me em labirintos dos quais esqueci a saída. Não tenho o fio de Ariádne.
Adormeci sobre meus dias cinzas, e rasguei as folhas que não consegui ler. Sujei o branco com borrões, misturados em lágrimas. Acho que já não consigo ser. E por isso despeço-me de meus nirvanas.

quinta-feira, 5 de junho de 2008

'Sinto-me enjaulada, presa!
Presa nas garras de um mundo podre e inútil.
Caminho por ruas que se parecem com corredores
Onde as casas não passam de celas
Que me ferem os movimentos.
O barulho da cidade assusta-me!
Olho para os becos e vejo emergir
Corpos que lutam entre si.
Vejo o ódio desenhado nas máscaras de cada pessoa que passa
Vejo a ambição e o desespero que lhes queima o rosto.
Ninguém conhece ninguém e estão condicionados
A números a que chamam tempo, tempo de serem alguém.
São todos artificiais e essa indiferença gela-me o coração.
Duas figuras brancas destacam-se da multidão.
Sei quem são, mas pouco importa
Sei que para onde me levam tudo é diferente.
Sim, fui considerada louca
e talvez verdaeiramente seja.'

sexta-feira, 30 de maio de 2008

" Tira esse azedume do meu peito e com respeito trate a minha dor..."




( Los hermanos )

quinta-feira, 22 de maio de 2008

A minha lixeira está a cada dia mais lotada das folhas de papéis rabiscadas e jogadas fora.
MInha agenda diária não relata mais meus dias. Nem alegres, nem tristes. Monótonos.
Meu som emudeceu, minha televisão apagou-se, meu violão empoeirou-se, está sem corda.
Meus contos de fadas enxeram-se de monstros e feras famintas. Já não sou minha protagonista e canfabulo comigo e sobre mim.
Ás vezes da vontade de fugir e tento, mas é inútil já estou soterrada.

segunda-feira, 12 de maio de 2008

[.]


Segurei o mundo tentando não perdê-lo.
Colori com medo que desbotasse.
Mas, adormeci e o mundo escapou-me.